Leilões de rodovias em 2026: impacto nas ações do setor e o que investidores devem observar

Entenda como os leilões de rodovias previstos para 2026 podem influenciar as ações de empresas de infraestrutura e concessionárias no Brasil.

Leilões de rodovias em 2026: o impacto esperado nas ações de infraestrutura

O mercado financeiro segue atento aos leilões de rodovias programados para 2026, que chegam com estimativa de investimentos elevados e potencial para movimentar o setor de infraestrutura no Brasil. Para investidores, a pergunta que ganha força é: como esses eventos podem influenciar o desempenho das ações de empresas ligadas à concessão de rodovias?

Segundo relatórios de instituições financeiras, o calendário de certames do próximo ano atrai atenção tanto pela escala dos projetos quanto pelo nível de competição entre os grupos interessados em assumir concessões importantes na malha viária do país.


Grandes volumes de investimentos, mas competição apertada

Estima-se que os leilões de rodovias em 2026 envolvam cerca de R$ 130 bilhões em investimentos em projetos que variam, em sua maioria, entre R$ 4 bilhões e R$ 8 bilhões. No entanto, apesar do valor expressivo, os especialistas ponderam que a intensa concorrência pode reduzir o potencial de geração de valor para investidores.

Em modelos financeiros aplicados, cada 100 pontos-base de diferença entre a taxa interna de retorno (TIR) e o custo de capital (WACC) poderia representar aproximadamente 3% de valor presente líquido (VPL) sobre o capital investido — mas esse ganho tende a ser pressionado pela disputa acirrada entre os participantes.


Olhando para as principais empresas do setor

Motiva (MOTV3)

A Motiva aparece nos estudos com uma perspectiva de geração de valor limitada caso vença projetos de porte médio. Mesmo em um cenário favorável com investimentos de R$ 10 bilhões e um spread confortável entre TIR e WACC, o valor criado estaria na faixa de dígitos baixos a médios em relação ao valor de mercado da empresa.

Diante disso, o banco Goldman Sachs mantém recomendação de venda para a ação MOTV3, com preço-alvo projetado para os próximos 12 meses.

Por outro lado, o Bradesco BBI adota visão mais otimista sobre a Motiva, com recomendação outperform (indicar compra) e preço-alvo superior aos níveis atuais, com base em esperanças de aumento de eficiência e melhor disciplina financeira.


EcoRodovias (ECOR3)

A EcoRodovias é outra companhia sob os holofotes. Embora seu nível de endividamento e compromissos de investimento sejam altos — mais de seis vezes a capitalização de mercado — os preços-alvo projetados pelos analistas indicam potencial de valorização significativa caso a empresa vença projetos relevantes.

O Goldman Sachs classifica a ação com recomendação neutra, enquanto o Bradesco BBI também mantém recomendação outperform, com base no tráfego aquecido nas rodovias sob sua administração e nas perspectivas de reajustes tarifários e eficiência operacional que podem impulsionar resultados.


Outras empresas no radar

Além das rodovias, outros segmentos de infraestrutura como logística e transporte também podem sentir reflexos do ciclo de investimentos:

  • Rumo (RAIL3) — o bradesco BBI destaca a possibilidade de volumes mais altos de transporte de grãos e outros produtos no médio prazo, mesmo que ajustes de preços em 2025 possam impactar rendimentos no curto prazo.
  • Vamos (VAMO3) e Armac (ARML3) — com recomendações que apontam para crescimento suportado por expansão de serviço e melhorias operacionais.
  • Mills (MILS3) — sob recomendação neutra, com oportunidades específicas em nichos de logística e infraestrutura.

O que isso significa para investidores?

Para quem acompanha o mercado de infraestrutura, os leilões de rodovias em 2026 representam uma mistura de oportunidades e desafios. Por um lado, os projetos elevam expectativas de capex robusto e potencial para modernização de trechos estratégicos da malha rodoviária. Por outro, a forte competição pode limitar a capacidade de criação de valor rápido para as empresas vencedoras dos contratos.

Além disso, os movimentos de mercado em torno dessas ações deverão refletir não só os resultados dos leilões, mas também expectativas de tráfego, eficiência operacional, disciplina financeira e ambiente regulatório nos próximos trimestres.


Conclusão

Os leilões de rodovias previstos para 2026 devem continuar no centro das atenções de investidores e analistas. Embora os elevados investimentos possam impulsionar o setor de infraestrutura, as nuances da competição e dos modelos de concessão indicam que a atenção será essencial na hora de avaliar oportunidades em ações ligadas a esse segmento.