Acordo Mercosul-UE pode impulsionar economia e ações brasileiras em 2026 — entenda os efeitos

Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode expandir acesso do Brasil ao comércio global, aumentar investimentos e trazer ganhos estruturais para a economia e empresas brasileiras.

Acordo Mercosul-UE pode beneficiar Brasil no longo prazo e impactar ações do setor

O recente acordo comercial firmado entre o Mercosul e a União Europeia (UE) deve trazer benefícios econômicos relevantes para o Brasil ao longo dos próximos anos, mesmo que seus efeitos imediatos sejam modestos, segundo análise da XP Investimentos.

A avaliação feita pela instituição financeira aponta que o potencial mais importante deste tratado está menos nos resultados comerciais imediatos e mais em sua capacidade de transformar a estrutura produtiva do país, estimulando atividade econômica, investimento e produtividade ao longo do tempo.


Ampliação do comércio e integração global

Um levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indica que a entrada em vigor do acordo pode expandir significativamente a participação do Brasil no comércio mundial. Atualmente, cerca de 8% do comércio exterior brasileiro é coberto por acordos preferenciais, mas esse percentual poderia subir para 36% com o novo pacto com a UE — um bloco responsável por quase um terço do comércio global.

Essa mudança representa um passo importante para a indústria e para setores exportadores brasileiros, abrindo portas para maiores volumes de exportações e maior competitividade internacional.


Ganhos econômicos e projeções de impacto

Além da ampliação do comércio, estudos divulgados pelo governo estimam que o acordo pode gerar impactos positivos no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil. Segundo projeções, o pacto teria potencial para adicionar cerca de 0,34% ao PIB, o que representaria aproximadamente R$ 37 bilhões em valor agregado à economia brasileira.

Essas projeções também indicam aumentos em investimentos e poderia contribuir para reduções no nível geral de preços ao consumidor, além de elevar a renda real e aumentar o bem-estar econômico no médio prazo.


Competitividade e vantagens setoriais

O acordo também deve trazer vantagens competitivas para diversos setores produtivos do Brasil. Ao eliminar ou reduzir tarifas para milhares de produtos ao longo do tempo, o tratado deve estimular tanto quem exporta quanto quem importa insumos, o que pode ajudar a reduzir custos e abrir novos mercados.

Essa movimentação tende a favorecer empresas com foco exportador, que podem se beneficiar de mercados europeus mais abertos e consumidores com alto poder de compra, além de atrair capital estrangeiro interessado em participar de cadeias de produção integradas entre Mercosul e UE.


Benefícios para pequenos produtores e agricultura familiar

Mais do que grandes exportadores, o acordo também pode trazer oportunidades para a agricultura familiar e pequenos produtores. De acordo com autoridades brasileiras, produtores de itens como café, frutas e derivados poderão acessar o mercado europeu com menos barreiras e tarifas, abrindo espaço para expansão de negócios além do mercado interno.


O que isso significa para investidores?

Para o investidor, a assinatura do Mercosul-UE representa um possível catalisador de longo prazo para empresas listadas na bolsa e setores exportadores, sobretudo aqueles ligados ao comércio internacional. A maior integração comercial pode favorecer:

  • Ações de empresas exportadoras
  • Setores ligados ao agronegócio, alimentos processados e commodities
  • Empresas que dependem de insumos importados com menor custo
  • Segmentos industriais que se beneficiam de maior competitividade internacional

Conclusão

O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, apesar de ter efeitos diretos menores no curto prazo, abre portas para ganhos estruturais significativos ao Brasil nos próximos anos. Ao expandir o acesso ao comércio global, aumentar competitividade e incentivar investimentos, o tratado pode se tornar um importante pilar para a economia e para a performance de empresas brasileiras no médio e longo prazo.